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Os Últimos Dias na Terra

Os Últimos Dias na Terra

As Experiências Agradáveis dos Fins de Semana Confinado

Bruno Ervedosa, 12.01.21

Os meus fins de semana confinado têm trazido experiências agradáveis. Não tivessem sido uma obrigação, teria dito que era uma dádiva da natureza. Longe de mim enveredar pelo caminho ambientalista neste texto, já que tanto se escreveu sobre isso. Também seria pateta da minha parte escrever sobre as questões sociais. Deixo isso para os sociólogos e para aqueles que se achem no direito de o fazer. Escrevo, isso sim, sobre as experiências que o meu filho partilha comigo e do privilégio que tenho em poder regressar ao reino da fantasia como convidado de honra das suas brincadeiras a um mundo que deixamos de perceber à medida que crescemos.

Posto isto, os meus fins de semana, mais cansativos que uma semana de trabalho, têm sido passados num mundo onde falar de pandemia e doenças não faz sentido. Porquê? Porque não há espaço para preocupação, sem ser a que brinquedo se encaixa melhor na brincadeira que se faz. Aos fins de semana, os carros foram feitos para voar e disparar mísseis, as almofadas transformam-se em armas de batalha capazes de derrotar o mais poderoso exercito, o sofá e a cama erguem-se como as mais seguras fortalezas alguma vez construídas pelo ser humano, o cesto da lenha transforma-se numa nave espacial que cruza o Universo de uma ponta a outras.

De manhã, o passeio matinal com o cão para esticar as pernas e respirar o ar puro que a serra nos dá. Há tarde, sentados no sofá, há tempo para beber o chocolate quente e assistir as aventuras do Scooby-Doo e do Tom e Jerry. Depois de jantar, no sofá e com a lareira ligada, adormecemos a ver mais um filme infantil. Pelo meio, muitas brincadeiras.

Se ser criança, ou velho é um estado de espírito, então eu confirmo isso. Sinto-me mais velho durante a semana, onde tenho de ser responsável e adulto. Os fins de semana, não sei qual de nós é mais criança. 

Deveria ser assim todos os dias da nossa vida. Ser adulto é uma treta. 

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